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PROJETOS . PISOS VIVOS . PARTE 1

Pisos externos executados diretamente sobre o solo respiram, trocam ar, água e energia com o ambiente. Argamassas de assentamento impermeabilizam o terreno e nos impedem de sentir a terra viva sob os pés.

Se além do contato direto com a terra, deixarmos frestas entre os elementos que compõem o piso, a movimentação natural do terreno encontra espaço para se acomodar. Os espaçamentos atuam como juntas de dilatação e evitam rachaduras na superfície. Gramíneas, musgos e pequenas flores crescem entre as peças e ajudam a preservar o delicado equilíbrio ecológico de minhocas, pequenos insetos e a vegetação.

Pisos que absorvem água e permitem a evaporação, que revelam a presença humana na acomodação de suas peças pelo caminhar, que acolhem a presença da micro fauna e flora, revelam a passagem do tempo na paisagem, os ritmos da natureza.

Quando o fluxo natural de energia entre a atmosfera e o solo é preservado, os pisos mantêm-se vivos e o caminhar espontâneo.

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INTERNA & EXTERNA . DIÁRIO DE VIAGEM . VALE DOURO, NORTE DE PORTUGAL

A proximidade da colheita das uvas na região do Douro, norte de Portugal, envolve a paisagem do vale em aromas e esperança.

Navegamos pelo Rio Douro em uma pequena embarcação portuguesa construída em 1963, inteiramente em madeira. As encostas cultivadas que margeiam o rio mergulham abruptamente na água em vários trechos e parecem encontrar-se a grande profundidade, no leito em cunha.

Os vinhedos carregados de uvas maduras ondulam interminavelmente pelas encostas do vale e suavizam a verticalidade muitas vezes trágica da paisagem. A beleza, contudo, não esconde o trabalho insano do homem em tornar o solo fértil e próspero. As águas convulsivas do Douro, navegáveis.

As vinhas e oliveiras enraízam em patamares estreitos, arrimados em pedras, rendendo-se à proposta humana de esculpir a paisagem. Acostumados que estamos a ver a brutalidade humana exercendo seu domínio sobre a terra, é sublime ver a comunhão entre o homem e a natureza.

LENTES . O OLHAR VOLTADO PARA CIMA

Explorar o olhar nos permite perceber formas e proporções novas. Estar atento ao que se passa no nosso interior diante dos novos horizontes amplia a experiência. Ao conduzir o olhar para o alto confrontamos a altura do corpo humano com a do espaço construído. O olhar capta a magnitude da altura dos edifícios, absorve a luz que as frestas entre construções deixam escapar. Mas ainda que o azul do céu reflita a profundidade do cosmos, a concretude inerte dos altos volumes construídos parece oprimir a alma humana.

Uma sensação diferente, porém, a alma experimenta quando confronta as alturas do corpo humano e a das árvores em um agrupamento. A presença ativa da vida circulando nos troncos da vegetação permite que a nossa alma vivencie a altura de modo sublime.


LIVRO


“As primeiras páginas são biográficas…” O Ignácio propôs que o nosso livro começasse pela minha história. Foi assim que percebi que a minha memória flui de paisagem em paisagem. Da infância, lembro os horizontes próximos dos meus olhos de criança e o chão. Guardo primeiramente a respiração do mar. O recolhimento das águas e o avanço das ondas que engoliam meus pés. Caminhar de mãos dadas com meus pais à beira mar me protegia do sobressalto das ondas e me assegurava conforto para sentir o ritmo da paisagem.

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