A BELEZA SALVARÁ O MUNDO!

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A Cordilheira do Atlas nasce da colisão entre os continentes africano e americano,  há milhões de anos atrás, e corta o Marrocos de nordeste a sudoeste. As montanhas separam as margens do mar Mediterrâneo e do oceano Atlântico do deserto do Saara.

A cordilheira guarda a dramaticidade da sua gênese na paisagem. A porção superior dos maciços condensa neve no inverno, enquanto o resto das encostas mantém-se sem cobertura vegetal até alcançar os planaltos – onde a agricultura é praticada em pequenos terraços – e, finalmente, decompõe-se na areia do deserto.

O povo berbere que habita as montanhas mimetiza as suas construções com as paisagem – ergue  casas com as pedras que se desprendem das encostas e o pisé, argamassa feita dos sedimentos e da terra. Os animais de criação e os nativos assumem na pele do corpo a cor do Atlas.

Em contraposição, o interior da moradia berbere – a tapeçaria, as louças e a vestimenta – parece constituir verdadeiro  templo dedicado às cores da natureza. O que faz o homem inserido em uma paisagem profundamente monocromática desenvolver um vestuário e adornos tão coloridos para si? O que o leva a desejar a intensidade das cores que ele observa distribuídas pela vastidão das montanhas e planaltos do Atlas? O que senão o senso artístico inerente à sua natureza e a busca incessante pelo belo, alimento maior da alma humana?

“A beleza salvará o mundo”, dizia Fiódor Dostoiévski. Não restam dúvidas!

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