O VIVER PRIMITIVO DA MEDINA DE FEZ

A antiga Medina de Fez conserva presente a Idade Média não apenas na arquitetura das construções e no traçado caótico 1Imagem_BlogKatia1de suas vielas e ruas estreitas. Aqui, o homem conserva, ele mesmo, a alma medieval. Os serviços e os meios de produção ignoram os chamamentos da modernidade no interior das muralhas de pisé, a taipa marroquina que cerca a cidade velha.

Há uma estranha beleza no viver primitivo; ele nos aproxima da origem da civilização humana. O homem observando os fenômenos do céu e da terra, o homem extrativista, o homem transformador do meio com as próprias mãos e inteligência.

O tratamento do couro cru e o tingimento das peles no curtume Chouwara, na área central da Medina, acontece passo a passo diante dos nossos olhos, segundo uma tradição de mais de oito séculos.

As peles secam ao sol penduradas nas fachadas das construções, esticadas em telhados e terraços – tingem a cidade com um colorido primitivo e inusitado.
O homem trabalha o couro dos animais com o próprio corpo: mergulha as pernas e os braços nos tanques, em movimentos ritmados. Carrega grandes fardos de  peles molhadas sobre os ombros em uma linha de produção caótica. Um cheiro pertubador domina a atmosfera do curtume.

Não é o cheiro da decomposição das entranhas dos animais abatidos ou da amônia que impressiona nossos sentidos no curtume de Chouwara. O que fica estagnado no tempo, apodrece.

 

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